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Criança com cicatriz de Labio Leporino

Lábio leporino: o que é, causas, cirurgia e como funciona o tratamento

Quando uma família recebe o diagnóstico de lábio leporino, ainda durante a gestação ou após o nascimento, é natural surgirem dúvidas sobre alimentação, cirurgia, fala, desenvolvimento dos dentes e qualidade de vida da criança.

O termo médico mais utilizado é fissura labial. “Lábio leporino” é uma expressão popular e ainda bastante pesquisada, mas pode ser substituída por fissura labial ou fissura labiopalatina durante as conversas com a equipe de saúde.

A fissura tem tratamento. Dependendo das estruturas envolvidas, porém, o acompanhamento não termina após a primeira cirurgia. A criança pode precisar de cuidados coordenados durante diferentes fases do crescimento.

Ao longo deste artigo, você entenderá o que é a fissura labial, quais fatores estão associados à sua formação, como funciona a cirurgia e quais profissionais podem participar do tratamento.

Entenda mais sobre os assuntos abaixo:

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O que é o lábio leporino ou fissura labial?

A fissura labial, popularmente conhecida como lábio leporino, é uma alteração congênita que se forma quando os tecidos responsáveis pela formação do lábio superior não se unem completamente durante as primeiras etapas do desenvolvimento do bebê.

A abertura pode ser pequena ou se estender do lábio em direção à base do nariz. Pode aparecer apenas de um lado, nos dois lados ou, com menor frequência, na região central.

A fissura também pode envolver o rebordo alveolar, onde ficam os dentes, e o céu da boca. Por isso, cada criança precisa ser avaliada individualmente.

A condição já está presente no nascimento. Ela não é provocada por algo que aconteceu durante o parto nem por uma atitude isolada dos pais.

Quais são os tipos de fissura?

As fissuras podem atingir diferentes estruturas e apresentar extensões variadas.

Fissura labial

A abertura atinge o lábio superior e pode ou não alcançar a base do nariz e o rebordo onde os dentes se desenvolvem.

Ela pode ser unilateral, quando aparece em apenas um lado, ou bilateral, quando envolve os dois lados do lábio.

Fissura palatina

A fissura palatina envolve o céu da boca, chamado de palato. Pode atingir o palato mole, localizado mais ao fundo, o palato duro ou ambos.

Em alguns casos, o lábio apresenta formação completa e a abertura está somente dentro da boca.

Fissura labiopalatina

A fissura labiopalatina envolve o lábio e o palato. Também pode atingir o rebordo alveolar, influenciando o nascimento e a posição dos dentes na região da fissura.

A classificação detalhada é realizada pela equipe responsável e ajuda a organizar as diferentes etapas do tratamento.

Quais são as causas da fissura labial?

Na maioria dos casos, não é possível apontar uma única causa. A fissura labial e a fissura palatina são consideradas alterações multifatoriais, relacionadas à interação entre predisposição genética e fatores ambientais.

Fatores genéticos

A presença de fissura labial ou palatina na família pode aumentar a probabilidade de ocorrência. Entretanto, isso não significa que a condição obrigatoriamente será transmitida.

Muitas crianças com fissura nascem em famílias sem outros casos conhecidos. Em algumas situações, a alteração também pode fazer parte de uma síndrome genética, o que exige investigação específica.

Fatores associados à gestação

Alguns fatores maternos e exposições durante a gestação são estudados por apresentarem associação com um risco maior de fissuras orofaciais.

Entre eles estão o tabagismo, o diabetes antes da gestação e o uso de determinados medicamentos. Isso não significa que um desses fatores, isoladamente, seja a causa de um caso específico.

Medicamentos prescritos não devem ser interrompidos durante a gravidez sem orientação médica.

O acompanhamento pré-natal, a alimentação equilibrada, a suplementação indicada pelo obstetra e a ausência de cigarro e álcool fazem parte dos cuidados gerais da gestação, mas não oferecem garantia absoluta de prevenção da fissura.

É possível identificar a fissura no ultrassom?

Algumas fissuras labiais podem ser identificadas durante os exames de ultrassom realizados na gestação, especialmente quando a abertura envolve claramente o lábio.

Entretanto, nem todos os casos são detectados antes do nascimento. A posição do bebê, a extensão da fissura, a qualidade da imagem e outros fatores podem influenciar a visualização.

As fissuras que atingem somente o palato são mais difíceis de identificar no ultrassom porque estão localizadas dentro da boca.

Quando o diagnóstico é feito durante a gestação, a família pode receber orientações antecipadas sobre alimentação, maternidade de referência e acompanhamento com uma equipe especializada.

Quando a fissura não é identificada no pré-natal, a avaliação e o tratamento podem ser iniciados normalmente após o nascimento.

Como alimentar um bebê com fissura labial ou palatina?

A dificuldade para se alimentar varia de acordo com o tipo e a extensão da fissura.

Bebês com fissura apenas no lábio podem conseguir mamar no peito ou na mamadeira, especialmente quando há boa adaptação entre a boca e a mama ou o bico.

Quando o palato também está envolvido, o bebê pode ter dificuldade para produzir a pressão necessária para retirar o leite. Nesses casos, podem ser necessários posicionamento específico, mamadeiras especiais ou outros recursos.

A família deve receber orientação individualizada de profissionais com experiência em fissuras. A recomendação pode envolver Pediatria, Enfermagem, Nutrição e Fonoaudiologia.

Durante a alimentação, alguns cuidados podem ser recomendados:

  • Manter o bebê em uma posição mais elevada;
  • Fazer pausas para permitir a saída de ar;
  • Observar sinais de cansaço, engasgo ou dificuldade para respirar;
  • Acompanhar o ganho de peso;
  • Utilizar o bico ou a mamadeira orientados pela equipe;
  • Não aumentar ou cortar o orifício do bico sem orientação.

Não existe uma única técnica de alimentação adequada para todos os bebês com fissura.

Como funciona o tratamento da fissura labial?

A fissura labial tem tratamento e pode ser corrigida cirurgicamente. Quando a fissura também envolve o palato, o rebordo alveolar, os dentes ou o crescimento dos maxilares, outras etapas podem ser necessárias.

A reabilitação costuma ser planejada por uma equipe multidisciplinar e pode acompanhar a criança desde o nascimento até a adolescência ou a vida adulta.

Dependendo das necessidades, podem participar profissionais de:

  • Cirurgia plástica ou craniofacial;
  • Pediatria;
  • Odontopediatria;
  • Ortodontia;
  • Fonoaudiologia;
  • Otorrinolaringologia;
  • Audiologia;
  • Nutrição;
  • Genética médica;
  • Psicologia e Serviço Social.

Nem toda criança precisará de todos esses profissionais ou de todas as intervenções. O plano depende do tipo de fissura e da evolução do paciente.

Saiba mais sobre a importância do odontopediatra:

Como é a cirurgia da fissura labial?

A cirurgia realizada para reconstruir o lábio é conhecida como queiloplastia. Ela é feita em ambiente hospitalar e com anestesia geral.

Durante o procedimento, o cirurgião reorganiza os tecidos, reconstrói a continuidade dos músculos do lábio e fecha a abertura. Quando necessário, também pode realizar ajustes na base do nariz.

Entre os objetivos estão:

  • Reconstruir a anatomia e a continuidade do lábio;
  • Reposicionar os músculos da região;
  • Melhorar o fechamento dos lábios;
  • Buscar maior equilíbrio entre o lábio e o nariz;
  • Criar melhores condições para o desenvolvimento funcional e facial.

Quando existe fissura palatina, o fechamento do céu da boca é realizado em outro procedimento, chamado palatoplastia.

A cirurgia do palato busca separar as cavidades oral e nasal e reconstruir a musculatura envolvida nas funções do palato, incluindo a fala.

Com qual idade a cirurgia é realizada?

A correção da fissura labial costuma ser realizada nos primeiros meses de vida. Muitos protocolos trabalham com uma janela aproximada entre 3 e 6 meses, mas não existe uma data única válida para todas as crianças.

O momento é definido pela equipe responsável, considerando:

  • O tipo e a extensão da fissura;
  • O peso e o crescimento do bebê;
  • As condições respiratórias e cardiovasculares;
  • A presença de outras alterações de saúde;
  • O protocolo adotado pelo centro de tratamento.

A cirurgia do palato geralmente é realizada mais tarde, frequentemente antes dos 18 meses. Entretanto, os protocolos também variam entre os centros especializados.

A família deve seguir o cronograma fornecido pela equipe que acompanha a criança, sem comparar apenas a idade da cirurgia com a de outros pacientes.

Como é o pós-operatório?

As orientações variam conforme a cirurgia, a idade da criança e o protocolo do hospital.

Depois da correção do lábio, podem ocorrer inchaço, sensibilidade e mudanças temporárias na alimentação. A equipe orientará os responsáveis sobre higiene, medicamentos, proteção da região e retorno às atividades habituais.

Entre os cuidados que podem ser solicitados estão:

  • Oferecer a alimentação conforme a técnica liberada pela equipe;
  • Evitar objetos que possam atingir a área operada;
  • Higienizar a região conforme as instruções recebidas;
  • Administrar medicamentos somente nas doses prescritas;
  • Comparecer às consultas de retorno;
  • Observar febre, sangramento, abertura da ferida ou dificuldade importante para se alimentar.

As orientações de alimentação após a cirurgia do lábio podem ser diferentes das fornecidas depois da cirurgia do palato. Por isso, recomendações genéricas não devem substituir as instruções da equipe cirúrgica.

A fissura pode afetar a fala e a audição?

A fissura labial isolada não costuma produzir os mesmos efeitos sobre a fala que uma fissura envolvendo o palato.

Quando o palato está envolvido, podem ocorrer alterações na ressonância, na articulação dos sons e no escape de ar pelo nariz durante a fala.

Por isso, a criança pode precisar de acompanhamento fonoaudiológico durante o desenvolvimento da linguagem.

A fissura palatina também pode estar associada a problemas de ventilação do ouvido médio, acúmulo de líquido e redução da audição.

Avaliações periódicas com Otorrinolaringologia e Audiologia ajudam a identificar alterações que poderiam interferir no desenvolvimento da fala e da aprendizagem.

Como funciona o acompanhamento odontológico e ortodôntico?

O acompanhamento odontológico começa cedo e deve ser integrado ao planejamento da equipe especializada.

Quando a fissura envolve o rebordo alveolar, podem ocorrer alterações no número, no formato, na posição e no nascimento dos dentes próximos à abertura.

A criança também precisa dos mesmos cuidados preventivos recomendados para qualquer paciente infantil, como:

  • Escovação com creme dental fluoretado;
  • Controle da alimentação açucarada;
  • Prevenção e tratamento de cáries;
  • Acompanhamento do nascimento dos dentes;
  • Avaliação da gengiva e da higiene das áreas próximas à fissura.

Leia mais: Dente de leite: quando nasce, para que serve e como cuidar

Tratamento ortodôntico

A Ortodontia pode participar de diferentes fases do tratamento, dependendo da posição dos dentes, da largura da arcada, da mordida e do desenvolvimento dos maxilares.

Algumas crianças utilizam dispositivos antes ou depois de determinadas cirurgias. Outras iniciam o tratamento ortodôntico apenas quando a dentição e o crescimento atingem uma fase específica.

O momento de utilizar aparelho deve ser decidido em conjunto com a equipe que acompanha a fissura. Não existe uma idade ou um aparelho único para todos os casos.

Leia mais: Aparelho para criança: quando o tratamento ortodôntico pode ser necessário?

O tratamento termina depois da primeira cirurgia?

Nem sempre. A primeira cirurgia corrige uma parte importante da fissura, mas a criança continua crescendo e desenvolvendo fala, audição, dentes, maxilares e relações sociais.

Dependendo do caso, etapas futuras podem incluir:

  • Cirurgia do palato;
  • Enxerto ósseo na região do rebordo alveolar;
  • Tratamento odontológico e ortodôntico;
  • Terapia fonoaudiológica;
  • Tratamentos relacionados à audição;
  • Revisões cirúrgicas do lábio, do nariz ou do palato;
  • Apoio psicológico e social.

Em pacientes com diferenças importantes no crescimento dos maxilares, a equipe pode considerar uma cirurgia ortognática quando o crescimento facial estiver suficientemente avançado.

Esse procedimento não é necessário para todas as pessoas com fissura e sua indicação depende de uma avaliação especializada.

Leia mais: Cirurgia ortognática: o que é, indicações e como funciona

O acompanhamento com uma equipe experiente permite organizar cada intervenção no momento mais adequado, evitando procedimentos isolados que possam interferir nas etapas seguintes.

Na Ianara Pinho Odontologia, o acompanhamento de Odontopediatria em Brasília pode auxiliar nos cuidados preventivos, na avaliação dos dentes e no encaminhamento para profissionais e centros especializados quando necessário.

É de Brasília-DF ou região e precisa de acompanhamento odontológico para a criança?

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Sobre a Ianara Pinho

Ianara Pinho é graduada pela Universidade de Brasília (UnB) e é pós-graduada em Odontopediatra, Radiologia e Imaginologia odontológica e também tem Habilitação em analgesia Inalatória (Sedação com Óxido Nitroso).

Em 2010, fundou a clínica odontológica que leva o seu nome: Ianara Pinho Odontologia.

A clínica hoje conta com mais de 45 dentistas e 3 unidades, uma na Asa Sul, uma na Asa Norte e outra em Águas Claras, sendo o objetivo final, transformar vidas por meio do sorriso, ou seja, produzir histórias marcantes!

São mais de 35 mil sorrisos transformados ao longo de todos esses anos.

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