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Publicado em: 23 de abril de 2026 | Atualizado em: 13 de julho de 2026
Quando uma família recebe o diagnóstico de lábio leporino, ainda durante a gestação ou após o nascimento, é natural surgirem dúvidas sobre alimentação, cirurgia, fala, desenvolvimento dos dentes e qualidade de vida da criança.
O termo médico mais utilizado é fissura labial. “Lábio leporino” é uma expressão popular e ainda bastante pesquisada, mas pode ser substituída por fissura labial ou fissura labiopalatina durante as conversas com a equipe de saúde.
A fissura tem tratamento. Dependendo das estruturas envolvidas, porém, o acompanhamento não termina após a primeira cirurgia. A criança pode precisar de cuidados coordenados durante diferentes fases do crescimento.
Ao longo deste artigo, você entenderá o que é a fissura labial, quais fatores estão associados à sua formação, como funciona a cirurgia e quais profissionais podem participar do tratamento.
Entenda mais sobre os assuntos abaixo:

A fissura labial, popularmente conhecida como lábio leporino, é uma alteração congênita que se forma quando os tecidos responsáveis pela formação do lábio superior não se unem completamente durante as primeiras etapas do desenvolvimento do bebê.
A abertura pode ser pequena ou se estender do lábio em direção à base do nariz. Pode aparecer apenas de um lado, nos dois lados ou, com menor frequência, na região central.
A fissura também pode envolver o rebordo alveolar, onde ficam os dentes, e o céu da boca. Por isso, cada criança precisa ser avaliada individualmente.
A condição já está presente no nascimento. Ela não é provocada por algo que aconteceu durante o parto nem por uma atitude isolada dos pais.
As fissuras podem atingir diferentes estruturas e apresentar extensões variadas.
A abertura atinge o lábio superior e pode ou não alcançar a base do nariz e o rebordo onde os dentes se desenvolvem.
Ela pode ser unilateral, quando aparece em apenas um lado, ou bilateral, quando envolve os dois lados do lábio.
A fissura palatina envolve o céu da boca, chamado de palato. Pode atingir o palato mole, localizado mais ao fundo, o palato duro ou ambos.
Em alguns casos, o lábio apresenta formação completa e a abertura está somente dentro da boca.
A fissura labiopalatina envolve o lábio e o palato. Também pode atingir o rebordo alveolar, influenciando o nascimento e a posição dos dentes na região da fissura.
A classificação detalhada é realizada pela equipe responsável e ajuda a organizar as diferentes etapas do tratamento.
Na maioria dos casos, não é possível apontar uma única causa. A fissura labial e a fissura palatina são consideradas alterações multifatoriais, relacionadas à interação entre predisposição genética e fatores ambientais.
A presença de fissura labial ou palatina na família pode aumentar a probabilidade de ocorrência. Entretanto, isso não significa que a condição obrigatoriamente será transmitida.
Muitas crianças com fissura nascem em famílias sem outros casos conhecidos. Em algumas situações, a alteração também pode fazer parte de uma síndrome genética, o que exige investigação específica.
Alguns fatores maternos e exposições durante a gestação são estudados por apresentarem associação com um risco maior de fissuras orofaciais.
Entre eles estão o tabagismo, o diabetes antes da gestação e o uso de determinados medicamentos. Isso não significa que um desses fatores, isoladamente, seja a causa de um caso específico.
Medicamentos prescritos não devem ser interrompidos durante a gravidez sem orientação médica.
O acompanhamento pré-natal, a alimentação equilibrada, a suplementação indicada pelo obstetra e a ausência de cigarro e álcool fazem parte dos cuidados gerais da gestação, mas não oferecem garantia absoluta de prevenção da fissura.
Algumas fissuras labiais podem ser identificadas durante os exames de ultrassom realizados na gestação, especialmente quando a abertura envolve claramente o lábio.
Entretanto, nem todos os casos são detectados antes do nascimento. A posição do bebê, a extensão da fissura, a qualidade da imagem e outros fatores podem influenciar a visualização.
As fissuras que atingem somente o palato são mais difíceis de identificar no ultrassom porque estão localizadas dentro da boca.
Quando o diagnóstico é feito durante a gestação, a família pode receber orientações antecipadas sobre alimentação, maternidade de referência e acompanhamento com uma equipe especializada.
Quando a fissura não é identificada no pré-natal, a avaliação e o tratamento podem ser iniciados normalmente após o nascimento.
A dificuldade para se alimentar varia de acordo com o tipo e a extensão da fissura.
Bebês com fissura apenas no lábio podem conseguir mamar no peito ou na mamadeira, especialmente quando há boa adaptação entre a boca e a mama ou o bico.
Quando o palato também está envolvido, o bebê pode ter dificuldade para produzir a pressão necessária para retirar o leite. Nesses casos, podem ser necessários posicionamento específico, mamadeiras especiais ou outros recursos.
A família deve receber orientação individualizada de profissionais com experiência em fissuras. A recomendação pode envolver Pediatria, Enfermagem, Nutrição e Fonoaudiologia.
Durante a alimentação, alguns cuidados podem ser recomendados:
Não existe uma única técnica de alimentação adequada para todos os bebês com fissura.
A fissura labial tem tratamento e pode ser corrigida cirurgicamente. Quando a fissura também envolve o palato, o rebordo alveolar, os dentes ou o crescimento dos maxilares, outras etapas podem ser necessárias.
A reabilitação costuma ser planejada por uma equipe multidisciplinar e pode acompanhar a criança desde o nascimento até a adolescência ou a vida adulta.
Dependendo das necessidades, podem participar profissionais de:
Nem toda criança precisará de todos esses profissionais ou de todas as intervenções. O plano depende do tipo de fissura e da evolução do paciente.
Saiba mais sobre a importância do odontopediatra:
A cirurgia realizada para reconstruir o lábio é conhecida como queiloplastia. Ela é feita em ambiente hospitalar e com anestesia geral.
Durante o procedimento, o cirurgião reorganiza os tecidos, reconstrói a continuidade dos músculos do lábio e fecha a abertura. Quando necessário, também pode realizar ajustes na base do nariz.
Entre os objetivos estão:
Quando existe fissura palatina, o fechamento do céu da boca é realizado em outro procedimento, chamado palatoplastia.
A cirurgia do palato busca separar as cavidades oral e nasal e reconstruir a musculatura envolvida nas funções do palato, incluindo a fala.
A correção da fissura labial costuma ser realizada nos primeiros meses de vida. Muitos protocolos trabalham com uma janela aproximada entre 3 e 6 meses, mas não existe uma data única válida para todas as crianças.
O momento é definido pela equipe responsável, considerando:
A cirurgia do palato geralmente é realizada mais tarde, frequentemente antes dos 18 meses. Entretanto, os protocolos também variam entre os centros especializados.
A família deve seguir o cronograma fornecido pela equipe que acompanha a criança, sem comparar apenas a idade da cirurgia com a de outros pacientes.
As orientações variam conforme a cirurgia, a idade da criança e o protocolo do hospital.
Depois da correção do lábio, podem ocorrer inchaço, sensibilidade e mudanças temporárias na alimentação. A equipe orientará os responsáveis sobre higiene, medicamentos, proteção da região e retorno às atividades habituais.
Entre os cuidados que podem ser solicitados estão:
As orientações de alimentação após a cirurgia do lábio podem ser diferentes das fornecidas depois da cirurgia do palato. Por isso, recomendações genéricas não devem substituir as instruções da equipe cirúrgica.
A fissura labial isolada não costuma produzir os mesmos efeitos sobre a fala que uma fissura envolvendo o palato.
Quando o palato está envolvido, podem ocorrer alterações na ressonância, na articulação dos sons e no escape de ar pelo nariz durante a fala.
Por isso, a criança pode precisar de acompanhamento fonoaudiológico durante o desenvolvimento da linguagem.
A fissura palatina também pode estar associada a problemas de ventilação do ouvido médio, acúmulo de líquido e redução da audição.
Avaliações periódicas com Otorrinolaringologia e Audiologia ajudam a identificar alterações que poderiam interferir no desenvolvimento da fala e da aprendizagem.
O acompanhamento odontológico começa cedo e deve ser integrado ao planejamento da equipe especializada.
Quando a fissura envolve o rebordo alveolar, podem ocorrer alterações no número, no formato, na posição e no nascimento dos dentes próximos à abertura.
A criança também precisa dos mesmos cuidados preventivos recomendados para qualquer paciente infantil, como:
Leia mais: Dente de leite: quando nasce, para que serve e como cuidar
A Ortodontia pode participar de diferentes fases do tratamento, dependendo da posição dos dentes, da largura da arcada, da mordida e do desenvolvimento dos maxilares.
Algumas crianças utilizam dispositivos antes ou depois de determinadas cirurgias. Outras iniciam o tratamento ortodôntico apenas quando a dentição e o crescimento atingem uma fase específica.
O momento de utilizar aparelho deve ser decidido em conjunto com a equipe que acompanha a fissura. Não existe uma idade ou um aparelho único para todos os casos.
Leia mais: Aparelho para criança: quando o tratamento ortodôntico pode ser necessário?
Nem sempre. A primeira cirurgia corrige uma parte importante da fissura, mas a criança continua crescendo e desenvolvendo fala, audição, dentes, maxilares e relações sociais.
Dependendo do caso, etapas futuras podem incluir:
Em pacientes com diferenças importantes no crescimento dos maxilares, a equipe pode considerar uma cirurgia ortognática quando o crescimento facial estiver suficientemente avançado.
Esse procedimento não é necessário para todas as pessoas com fissura e sua indicação depende de uma avaliação especializada.
Leia mais: Cirurgia ortognática: o que é, indicações e como funciona
O acompanhamento com uma equipe experiente permite organizar cada intervenção no momento mais adequado, evitando procedimentos isolados que possam interferir nas etapas seguintes.
Na Ianara Pinho Odontologia, o acompanhamento de Odontopediatria em Brasília pode auxiliar nos cuidados preventivos, na avaliação dos dentes e no encaminhamento para profissionais e centros especializados quando necessário.
É de Brasília-DF ou região e precisa de acompanhamento odontológico para a criança?

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Sobre a Ianara Pinho
Ianara Pinho é graduada pela Universidade de Brasília (UnB) e é pós-graduada em Odontopediatra, Radiologia e Imaginologia odontológica e também tem Habilitação em analgesia Inalatória (Sedação com Óxido Nitroso).
Em 2010, fundou a clínica odontológica que leva o seu nome: Ianara Pinho Odontologia.
A clínica hoje conta com mais de 45 dentistas e 3 unidades, uma na Asa Sul, uma na Asa Norte e outra em Águas Claras, sendo o objetivo final, transformar vidas por meio do sorriso, ou seja, produzir histórias marcantes!
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