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Publicado em: 7 de maio de 2026 | Atualizado em: 13 de julho de 2026
Receber um resultado de exame com a palavra “tumor” pode causar preocupação. Quando o diagnóstico é odontoma, porém, o significado costuma ser diferente daquele normalmente associado ao câncer.
O odontoma é uma alteração odontogênica benigna formada pelos mesmos tecidos que participam da formação dos dentes. Em muitos casos, ele é descoberto por acaso em uma radiografia ou durante a investigação de um dente permanente que não nasceu no período esperado.
A alteração é encontrada com frequência em crianças, adolescentes e adultos jovens, justamente durante as fases de formação e erupção dos dentes permanentes. Dependendo da localização e do tamanho, o odontoma pode não produzir nenhum efeito ou funcionar como uma barreira que impede o nascimento de um dente.
Neste artigo, você entenderá o que é o odontoma, quais são seus principais tipos, como ele aparece nos exames e em quais situações a remoção pode ser necessária.
Saiba mais sobre as questões abaixo:

O odontoma é uma alteração odontogênica benigna constituída por tecidos dentários, como esmalte, dentina, cemento e tecido semelhante à polpa.
Ele se forma quando as células envolvidas no desenvolvimento dos dentes produzem esses tecidos de maneira diferente da observada em um dente normal. O resultado pode ser um conjunto de pequenas estruturas semelhantes a dentes ou uma massa de tecido dentário calcificado sem um formato definido.
Embora o odontoma seja tradicionalmente classificado entre os tumores odontogênicos, muitos autores o consideram um hamartoma. Isso significa que ele se comporta mais como um crescimento desorganizado de tecidos maduros próprios daquela região do que como uma neoplasia verdadeira.
Na maior parte dos casos, apresenta crescimento limitado e lento. Mesmo assim, sua presença pode interferir no desenvolvimento e no nascimento dos dentes próximos.
Não. O odontoma é uma alteração benigna e não é considerado um câncer.
Apesar de aparecer em determinadas classificações entre os tumores odontogênicos benignos, ele não é um câncer de boca e não apresenta o comportamento infiltrativo ou metastático observado em tumores malignos.
Também não possui o mesmo comportamento de doenças como o câncer de língua, que pode invadir tecidos próximos e se disseminar para outras regiões.
O odontoma pode, contudo, produzir efeitos locais. Dependendo de sua posição, pode impedir a erupção de um dente permanente, manter um dente de leite na boca por mais tempo, deslocar dentes próximos ou provocar expansão do osso.
A causa exata nem sempre pode ser determinada. O odontoma está relacionado a uma alteração ocorrida durante o processo de formação dos tecidos dentários, mas geralmente não é possível identificar um único fator responsável.
Traumas na região dos dentes de leite, processos infecciosos, alterações genéticas e mudanças nos mecanismos que controlam o desenvolvimento dos dentes são algumas das hipóteses descritas.
Essas associações não significam que uma pancada ou infecção necessariamente produzirá um odontoma. Na maioria dos pacientes, o diagnóstico não permite concluir exatamente por que a alteração se formou.
Os dois tipos principais são o odontoma composto e o odontoma complexo. Ambos contêm tecidos dentários, mas apresentam organização e aparência radiográfica diferentes.
O odontoma composto apresenta estruturas pequenas que se parecem com dentes em miniatura. Essas formações são frequentemente chamadas de dentículos.
Na radiografia, elas aparecem agrupadas e envolvidas por uma área bem delimitada. Esse tipo é encontrado com maior frequência na região anterior da maxila, onde ficam os incisivos e caninos superiores, embora possa aparecer em outras áreas.
Quando está localizado no caminho de erupção de um dente, pode impedir ou atrasar seu nascimento.
O odontoma complexo também é formado por esmalte, dentina, cemento e outros componentes dentários. Entretanto, esses tecidos estão distribuídos de forma desorganizada e não formam estruturas semelhantes a pequenos dentes.
Na imagem, ele costuma aparecer como uma massa calcificada irregular, geralmente cercada por uma faixa mais escura. É encontrado com maior frequência nas regiões posteriores dos maxilares, especialmente próximas aos molares, mas essa localização não é obrigatória.
A diferença entre composto e complexo está principalmente na organização dos tecidos. Essa classificação não significa que um deles seja maligno ou necessariamente mais grave do que o outro.
A maioria dos odontomas não causa dor ou outros sintomas evidentes. Por isso, a descoberta costuma acontecer em uma radiografia de rotina ou durante a investigação de uma alteração na troca dos dentes.
Um dos sinais mais comuns é o atraso no nascimento de um dente permanente. Em crianças, também pode haver retenção prolongada de um dente de leite, enquanto o permanente correspondente permanece dentro do osso.
Quando o odontoma bloqueia o caminho de erupção, o permanente pode permanecer incluso ou impactado. Em outros casos, a lesão pode provocar deslocamento de dentes, aumento de volume na gengiva ou assimetria entre os dois lados da arcada.
Odontomas maiores ou que se comunicam com a boca podem, com menor frequência, causar desconforto, inflamação ou infecção. Esses sintomas não são a apresentação mais comum e precisam ser avaliados para excluir outras alterações associadas.
Leia mais: Dente incluso: o que é, sintomas e quando precisa tratar
A investigação geralmente começa com o exame clínico e uma radiografia. O dentista analisa a idade do paciente, quais dentes já nasceram, se algum dente de leite permaneceu além do esperado e se existe diferença entre os dois lados da boca.
A radiografia panorâmica pode mostrar a localização da alteração, sua relação com os dentes permanentes e a presença de outras estruturas próximas.
O odontoma composto costuma aparecer como um conjunto de pequenas estruturas semelhantes a dentes. O complexo tende a se apresentar como uma massa radiopaca, ou seja, mais clara na radiografia, envolvida por uma linha ou faixa mais escura.
Em algumas situações, as imagens bidimensionais não mostram com clareza a profundidade da lesão ou sua proximidade com raízes, nervos e dentes inclusos. Nesses casos, uma tomografia dentária pode ser solicitada para auxiliar no planejamento.
A tomografia não é obrigatória para todos os pacientes. Sua indicação depende das informações que ainda precisam ser obtidas e de quanto o exame poderá modificar a conduta.
Quando a lesão é removida, o material costuma ser encaminhado para análise anatomopatológica. O diagnóstico final considera a combinação entre exame clínico, imagens, características observadas durante a cirurgia e avaliação microscópica.
A decisão depende do tamanho, da localização, da idade do paciente, do comportamento observado nos exames e do impacto sobre os dentes e o osso.
Na prática, a remoção é frequentemente considerada quando o odontoma impede a erupção de um dente permanente, desloca dentes próximos, interfere no planejamento ortodôntico ou apresenta aumento progressivo.
A cirurgia também pode ser indicada quando existe expansão óssea, associação com outra lesão, infecção, desconforto ou risco de prejuízo às estruturas vizinhas.
Um odontoma pequeno, assintomático e descoberto por acaso pode exigir uma análise mais individualizada. Em situações selecionadas, o profissional pode considerar o acompanhamento clínico e radiográfico, principalmente quando a intervenção oferece um risco maior do que o benefício imediato.
Portanto, a palavra “benigno” não significa que a alteração possa ser ignorada. Também não significa que todos os casos precisem ser operados imediatamente.
A remoção é planejada de acordo com a posição e a profundidade da lesão. O objetivo é retirar o odontoma, preservar as estruturas saudáveis e, sempre que possível, manter o dente permanente associado.
O cirurgião realiza um acesso pela gengiva e remove uma quantidade controlada de osso para alcançar a alteração. O odontoma é então separado cuidadosamente da região, levando em consideração a proximidade com raízes, dentes em formação e outras estruturas anatômicas.
A cirurgia pode ser realizada com anestesia local em alguns pacientes. Crianças pequenas, pessoas com dificuldade de cooperação, lesões profundas ou procedimentos mais extensos podem precisar de sedação ou anestesia geral.
Não existe uma duração única para a operação. O tempo depende do tamanho, da localização, do tipo de acesso e da relação com os dentes próximos.
A avaliação em cirurgia bucomaxilofacial permite analisar a necessidade de remoção, o melhor acesso cirúrgico e as possibilidades de preservação do dente envolvido.
Leia mais: Bucomaxilo: o que é, quais tratamentos realiza e quando procurar
A recuperação varia conforme a extensão da cirurgia. Nos primeiros dias, podem ocorrer inchaço, sensibilidade e pequena limitação para mastigar na região operada.
O dentista ou cirurgião fornecerá orientações sobre higiene, alimentação, repouso e uso de medicamentos. É importante seguir a prescrição e evitar tocar na ferida ou realizar bochechos vigorosos sem autorização.
Alimentos mais macios e em temperatura confortável podem ser recomendados inicialmente. A higiene da boca deve continuar, mas a área operada pode exigir uma técnica específica durante os primeiros dias.
Sangramento persistente, febre, secreção, dor que piora progressivamente, dificuldade para abrir a boca ou aumento do inchaço após os primeiros dias devem ser comunicados à equipe responsável.
As consultas de retorno permitem avaliar a cicatrização e acompanhar o dente permanente relacionado à lesão.
Em alguns casos, o dente permanente pode nascer espontaneamente depois que a barreira é removida. Isso tende a ser mais favorável quando o paciente é jovem, ainda existe espaço na arcada, a raiz não completou sua formação e o dente apresenta uma posição adequada.
Entretanto, a erupção espontânea não pode ser garantida. O dente pode permanecer dentro do osso mesmo após a cirurgia, especialmente quando está muito inclinado, deslocado, com a raiz completamente formada ou sem espaço suficiente.
Dependendo da situação, a equipe pode acompanhar por um período para observar se ocorrerá movimentação natural. Quando isso não acontece, pode ser necessário expor o dente cirurgicamente e movimentá-lo com auxílio ortodôntico.
Em casos mais complexos, nos quais a posição ou as condições do dente não permitem sua preservação, a extração pode ser considerada. Essa decisão depende de exames e planejamento individual.
Sim, mas não em todos os casos. O aparelho pode ser necessário para abrir ou preservar espaço, alinhar o dente que nasceu fora de posição ou tracionar um permanente que continuou incluso.
Quando o paciente já está em tratamento ou possui falta de espaço, o odontoma também pode interferir no planejamento do aparelho ortodôntico.
O momento de iniciar a movimentação depende da cicatrização, da posição do dente e do estágio de desenvolvimento da raiz. Em determinadas situações, o ortodontista prefere aguardar uma tentativa de erupção espontânea antes de iniciar o tracionamento.
Quando a alteração é identificada durante a troca dos dentes, o acompanhamento de odontopediatria ajuda a avaliar a cronologia da erupção, a preservação do permanente e a necessidade de integração com Ortodontia ou Cirurgia.
A recorrência depois da remoção completa é considerada incomum. Mesmo assim, o acompanhamento não deve ser abandonado logo após a cirurgia.
Radiografias de controle podem ser necessárias para verificar a cicatrização do osso, confirmar que não existem sinais de permanência da lesão e acompanhar a erupção do dente associado.
O intervalo e a duração desse acompanhamento dependem da idade, do tipo de odontoma, da extensão da cirurgia e da situação dos dentes próximos.
Uma nova alteração na região, ausência de movimentação do dente permanente, dor, inchaço ou mudança observada nas imagens pode exigir reavaliação.
É de Brasília-DF ou região e identificou um odontoma ou um dente que não nasceu?
Uma avaliação clínica e por imagem permite confirmar a alteração, entender sua relação com os dentes e definir se o melhor caminho é acompanhar ou remover.

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Sobre a Ianara Pinho
Ianara Pinho é graduada pela Universidade de Brasília (UnB) e é pós-graduada em Odontopediatra, Radiologia e Imaginologia odontológica e também tem Habilitação em analgesia Inalatória (Sedação com Óxido Nitroso).
Em 2010, fundou a clínica odontológica que leva o seu nome: Ianara Pinho Odontologia.
A clínica hoje conta com mais de 45 dentistas e 3 unidades, uma na Asa Sul, uma na Asa Norte e outra em Águas Claras, sendo o objetivo final, transformar vidas por meio do sorriso, ou seja, produzir histórias marcantes!
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