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Publicado em: 15 de janeiro de 2026 | Atualizado em: 28 de janeiro de 2026
Você já sentiu uma dor no rosto parecida com um choque elétrico? Daquelas que surgem repentinamente e são tão intensas que interrompem o que a pessoa está fazendo? Muitos pacientes descrevem essa dor como algo fora do comum: não parece uma dor de dente comum, uma dor muscular ou uma dor de cabeça habitual.
Em alguns casos, esse sintoma pode estar relacionado à neuralgia do trigêmeo, uma condição neurológica que afeta o nervo responsável por grande parte da sensibilidade do rosto.
Ao longo deste artigo, você entenderá o que é a neuralgia do trigêmeo, quais são os principais sintomas, por que ela pode ser confundida com problemas odontológicos e quais tratamentos podem ser indicados.
Saiba mais sobre as seguintes pautas:

A neuralgia do trigêmeo é uma condição neurológica que provoca episódios de dor facial intensa. A dor costuma ser descrita como um choque elétrico, uma fisgada ou uma pontada súbita e pode ser desencadeada por atividades simples do cotidiano.
O nervo trigêmeo é responsável por transmitir ao cérebro grande parte das sensações de toque, pressão, temperatura e dor do rosto. Ele também possui fibras relacionadas aos músculos utilizados durante a mastigação.
Esse nervo se divide em três grandes ramificações:
Na imagem abaixo, é possível observar como o nervo trigêmeo se divide em diferentes regiões do rosto, explicando por que a dor pode surgir em locais distintos:

Quando o nervo sofre compressão, irritação ou algum tipo de alteração, ele pode transmitir sinais de dor mesmo sem existir uma lesão visível na região em que o desconforto é sentido.
A apresentação mais característica da neuralgia do trigêmeo é uma dor facial súbita, intensa e semelhante a um choque elétrico.
Entre as principais características estão:
Algumas pessoas também apresentam uma dor contínua ou sensação de queimação entre as crises mais intensas. Essa característica precisa ser considerada durante o diagnóstico, pois existem outros tipos de dor facial que podem causar sintomas semelhantes.
Os episódios podem ser provocados por estímulos leves em determinadas regiões do rosto, chamadas de zonas de gatilho.
Entre as situações que podem desencadear a dor estão:
O medo de desencadear uma nova crise pode fazer com que a pessoa evite comer, conversar, escovar os dentes ou sair de casa, causando impacto importante na alimentação, na higiene e na qualidade de vida.
Leia mais: Disfunção temporomandibular e dor orofacial: o que você precisa saber
A neuralgia do trigêmeo pode apresentar diferentes origens. Em muitos casos, a condição está associada à compressão do nervo por um vaso sanguíneo próximo à região em que ele entra no tronco cerebral.
De maneira geral, a condição pode ser classificada de acordo com sua possível causa:
A forma clássica costuma estar relacionada ao contato ou à compressão do nervo trigêmeo por uma artéria ou veia.
A forma secundária ocorre quando existe outra condição capaz de afetar o nervo, como esclerose múltipla, tumores ou outras alterações estruturais.
Em alguns casos, os sintomas são compatíveis com a neuralgia, mas os exames não identificam uma causa específica.
A frequência da condição aumenta com a idade, mas pessoas mais jovens também podem desenvolver o problema, especialmente quando existe alguma causa neurológica associada.
A neuralgia do trigêmeo pode provocar dor na mandíbula, nos dentes e na gengiva. Por esse motivo, muitas pessoas procuram inicialmente um dentista acreditando que existe uma cárie, uma infecção ou outro problema odontológico.
O dentista precisa investigar possíveis causas dentárias antes de considerar uma origem neurológica. Entre os problemas que podem provocar dor intensa estão:
Algumas características podem levantar a suspeita de que a dor não seja causada diretamente por um dente:
Não devem ser realizados tratamentos de canal, extrações ou outros procedimentos irreversíveis sem que exista uma causa odontológica claramente identificada.
Leia mais: Dor de dente insuportável: o que fazer, principais causas e como aliviar
A neuralgia do trigêmeo e a disfunção temporomandibular podem provocar dor no rosto, mas apresentam características diferentes.
Na neuralgia, a dor costuma ser curta, intensa, semelhante a um choque e desencadeada por estímulos leves. Já na DTM, é mais comum existir uma dor muscular ou articular persistente, que pode piorar ao mastigar, abrir a boca ou movimentar a mandíbula.
Outros sinais associados à DTM incluem:
Quando os sintomas indicam uma possível origem muscular ou articular, pode ser necessária uma avaliação de DTM e dor orofacial.
Leia mais: Articulação Temporomandibular: o que é, sintomas e como tratar
O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo é baseado principalmente nas características da dor, nos gatilhos, na região afetada e no exame neurológico.
Durante a avaliação, o profissional pode perguntar:
Como a dor pode ser sentida nos dentes, na gengiva ou na mandíbula, o dentista pode participar da investigação para descartar cáries, infecções, fraturas, alterações periodontais e DTM.
Quando não é identificada uma causa odontológica compatível, o paciente deve ser encaminhado para avaliação médica, geralmente com neurologista.
A ressonância magnética pode ser solicitada para avaliar o trajeto do nervo, pesquisar uma possível compressão vascular e investigar condições como esclerose múltipla ou alterações estruturais.
O tratamento busca controlar a dor, reduzir a frequência das crises e melhorar a qualidade de vida. A conduta deve ser individualizada e acompanhada por um médico.
O tratamento inicial costuma ser realizado com medicamentos que reduzem a transmissão anormal de sinais pelo nervo. A carbamazepina e a oxcarbazepina estão entre os medicamentos mais utilizados como primeira opção.
Outros medicamentos podem ser considerados quando o tratamento inicial não controla a dor, provoca efeitos adversos ou apresenta alguma contraindicação.
Esses medicamentos não devem ser iniciados, interrompidos ou ter a dose modificada sem orientação médica. Também podem ser necessários exames e acompanhamento para verificar possíveis efeitos adversos.
Analgésicos comuns geralmente não são suficientes para controlar as crises características da neuralgia do trigêmeo.
Quando os medicamentos não controlam adequadamente a dor ou causam efeitos adversos importantes, podem ser considerados procedimentos específicos.
As possibilidades incluem técnicas percutâneas que atuam sobre o nervo, radiocirurgia estereotáxica e descompressão microvascular. A escolha depende da causa provável, da idade, das condições clínicas e das características de cada caso.
Algumas adaptações podem reduzir o contato com gatilhos enquanto o tratamento é ajustado:
Esses cuidados não substituem o tratamento médico e não resolvem a causa da neuralgia, mas podem facilitar a rotina durante os períodos de maior sensibilidade.
Uma dor facial intensa, recorrente ou semelhante a choques precisa ser investigada. Procure avaliação quando:
Dor facial acompanhada de fraqueza em um lado do corpo, desvio da boca, dificuldade para falar, confusão, alteração súbita da visão ou dor de cabeça intensa exige atendimento médico de emergência.
Se houver inchaço importante no rosto, febre, pus, dificuldade para abrir a boca, respirar ou engolir, também é necessário buscar atendimento rapidamente, pois esses sinais podem indicar uma infecção.
Quando ainda não está claro se a origem da dor é dentária, muscular ou articular, a avaliação odontológica pode ajudar a identificar ou descartar problemas na boca e na mandíbula. Caso exista suspeita de neuralgia, o paciente deverá ser encaminhado para investigação neurológica.
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Por:
Ianara Pinho em Blog
Sobre a Ianara Pinho
Ianara Pinho é graduada pela Universidade de Brasília (UnB) e é pós-graduada em Odontopediatra, Radiologia e Imaginologia odontológica e também tem Habilitação em analgesia Inalatória (Sedação com Óxido Nitroso).
Em 2010, fundou a clínica odontológica que leva o seu nome: Ianara Pinho Odontologia.
A clínica hoje conta com mais de 45 dentistas e 3 unidades, uma na Asa Sul, uma na Asa Norte e outra em Águas Claras, sendo o objetivo final, transformar vidas por meio do sorriso, ou seja, produzir histórias marcantes!
São mais de 35 mil sorrisos transformados ao longo de todos esses anos.

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